domingo, janeiro 11, 2015

Um Minuto de Saudade

O ponteiro dos segundos rasgou o silêncio oco que pairava no repouso do esquecimento vegetativo que mantemos na ociosidade do conforto do quotidiano. O ponteiro arrancou e parou pesadamente na casa do segundo seguinte, acertando com o segundo movimento o passo e a intensidade, do que viria a ser uma longa e solitária viagem a um tempo adormecido na inquietude da saudade.

A jornada ainda não atingia o primeiro marcador e eu já está a chegar até ti, consegui ver-te sentada no sofá à minha espera, de um momento para o outro fui capaz de sentir a suavidade da tua bochecha macia nos meus lábios, sentir o aroma ao perfume floral e frutado que espalhavas pela sala adocicando o ar que respirávamos, e por fim, cheguei mesmo a ouvir o som crescente do teu sorriso fugido. Tudo isto se passou num espaço de segundos que não controlei, a forma arrebatadora como viajei até ti lembrou a explosão de uma garrafa gasificada, e, naquele momento, sem olhar para o relgo e tu comigo. Uma janela abrirara o relia ter-te aqui outra vez, imaginar-te no meu novo mundo. sem pressaado fosse r mais umaógio, quis apenas perdurar cada momento o mais que me fosse possível, deixando-me levar pela impotência do desejo. Tudo parecia perfeito, eu estava outra vez contigo e tu comigo. Uma janela abrira-se com o despertar do tempo e nós ultrapassáramos a barreira do da distância, deixamos que a saudade vivesse por um minuto sem rédeas, sem prisões, sem as restrições egoístas que colocamos para nos protegermos, permitimos-lhe que se soltasse e desse voz a um sentimento que só ela consegue despertar...o amor verdadeiro de quem ama.

A cada instante desejei que o tempo se medisse em milésimos de segundo, numa tentativa infrutífera de ter mais tempo para poder estar contigo, no entanto, a pouco e pouco, com a abertura da caixa das lembranças perdidas guardadas no fundo da memória, a par dessa alegria do reencontro crescia também a dor, a dor que nos baixa ao solo e nos lembra da inevitabilidade, da dura realidade que se aproxima a cada casa de segundo que passava. Já não havia volta, eu abrira a porta do meu coração deixando todos os sentimentos que reprimia para me proteger viverem mais uma vez, sabia que seria uma vivência agridoce, mas havia que aproveitar e sentir o teu amor incondicional a aconchegar-me, imaginar como seria ter-te aqui outra vez, imaginar-te no meu novo mundo.

A viagem à saudade tornara-se dolorosamente insuportável, eu conseguira chegar até ti, deixei que a saudade tomasse conta de mim até ao limite das minhas forças, e foi quase no limite da incapacidade de respirar o ar denso do mundo da saudade, que deixei escapar um sorriso, deixando que as lágrimas salgadas escorressem pela minha cara lembrando-me que só não se esquece quem é capaz de amar num minuto de saudade.